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Grupo de cavaleiros iniciantes num caminho costeiro perto da Praia do Cabedelo, em Viana do Castelo
Diário da Areosa

10 Dicas Honestas para Quem Nunca Montou a Cavalo

6 min de leitura

Vamos ser honestos: quase toda a gente que chega ao nosso centro hípico, na Areosa, para andar a cavalo pela primeira vez traz o mesmo olhar. Aquela mistura de “sempre quis fazer isto” com “em que é que eu me fui meter”. As mãos suam, o cavalo parece bem maior do que nas fotografias e surge a dúvida existencial: afinal, por onde é que se sobe?

Respire fundo. Desde 2009 que recebemos estreantes de todas as idades — famílias em férias, casais em escapadinha, avós decididos a riscar um sonho da lista — e podemos garantir uma coisa: não é preciso ser cavaleiro para desfrutar de um passeio a cavalo. É preciso vontade, calçado decente e meia dúzia de dicas honestas.

São essas que aqui ficam. Sem tecnicismos, sem sermões e sem prometer que vai galopar como nos filmes logo à primeira. Não vai — e ainda bem, porque a primeira vez é para saborear devagar.

Antes de sair de casa

1. Estar nervoso é normal (e até ajuda)

Se o coração acelera só de pensar em subir para cima de um animal de 500 quilos, parabéns: é um ser humano funcional. O nervosismo do primeiro passeio é tão comum que já quase faz parte do programa. O truque não é eliminá-lo, é não o esconder. Diga-nos como se sente quando chegar. Ajustamos o ritmo, escolhemos o cavalo mais paciente da casa e ficamos ao seu lado até os ombros descerem do sítio onde estavam — algures junto às orelhas.

2. O calçado importa mais do que imagina

A regra é simples: fechado, confortável e com sola firme. Umas botas de caminhada ou uns ténis robustos servem perfeitamente. Chinelos, sandálias e sapatos novos de que tem pena ficam em casa: vai pisar areia, terra e — sejamos francos — talvez qualquer coisa que um cavalo deixou cair. O capacete não é problema seu: fornecemos nós, tal como o restante equipamento de segurança.

3. Vista-se para o Minho, não para a fotografia

Calças compridas e confortáveis (jeans com elasticidade ou leggings), camadas fáceis de tirar e pôr, e um corta-vento se o Atlântico estiver com génio. O tempo em Viana do Castelo muda de ideias com facilidade: pode sair da Areosa debaixo de nevoeiro e chegar ao areal com sol aberto sobre o Monte de Santa Luzia. A fotografia bonita acontece na mesma — prometemos.

Os primeiros minutos em cima do cavalo

4. Não existem perguntas parvas — a sério

“O cavalo percebe que estou nervoso?” (Percebe, sim, e não se ofende.) “E se ele desatar a correr?” (Não desata; os nossos cavalos de passeio já viram de tudo.) “Posso fazer-lhe festas?” (Pode e deve.) Já ouvimos estas todas, centenas de vezes, e continuamos a responder com gosto. A única pergunta que nos entristece é a que fica por fazer — que é, quase sempre, a que lhe estava a tirar o sossego.

5. Sente-se direito e olhe para onde quer ir

Esqueça a ideia de se agarrar à sela como quem abraça uma boia. A posição que funciona é surpreendentemente digna: costas direitas sem rigidez, calcanhares ligeiramente para baixo e o olhar em frente — para o caminho, para o mar, para o farol de Montedor. O cavalo sente para onde o seu corpo está virado. Se passar o passeio a olhar para o chão, adivinhe para onde vão o seu equilíbrio e a sua atenção.

6. Mãos leves: as rédeas não são um guiador

Este é o erro número um dos estreantes, e é compreensível: quando o cérebro se assusta, as mãos fecham-se. Mas as rédeas estão ligadas à boca do cavalo, que é uma zona sensível. Puxar com força não trava mais depressa — só confunde e incomoda. Imagine que segura duas chávenas de café cheias: firmes o suficiente para não caírem, leves o suficiente para não entornar. Mostramos tudo com calma no picadeiro, antes de partir.

Durante o passeio

7. Confie no cavalo — ele já fez este caminho centenas de vezes

O seu cavalo conhece cada curva do trilho, cada poça e cada silvado entre a Areosa e o areal. Sabe onde pisar, sabe seguir o companheiro da frente e sabe, sobretudo, voltar para casa — nisso, é ainda mais motivado do que o cavaleiro. O nosso passeio a cavalo na praia é feito em grupos pequenos, com um máximo de 8 pessoas, sempre acompanhados por instrutores. O seu trabalho não é controlar tudo; é acompanhar.

8. Respire — o resto do corpo agradece

Quando prendemos a respiração, as pernas apertam, as mãos puxam e o cavalo pergunta-se que raio se passa lá em cima. Um truque simples: de vez em quando, solte o ar como se suspirasse de tédio. É quase cómico como funciona — o corpo descontrai, o cavalo descontrai, e de repente está a apreciar a Serra d’Arga ao longe em vez de fazer contas à vida. Consta que os garranos selvagens da serra usam a mesma técnica. (Não usam. Mas ficava bem.)

9. Voz calma, gestos calmos

Cavalos são animais tranquilos que apreciam companhia tranquila. Pode falar, rir e conversar com o grupo — o passeio não é um velório —, mas evite gritos súbitos, braços a abanar e festejos acrobáticos em cima da sela. Se quiser tirar fotografias, avise o instrutor: paramos num sítio bonito, e não faltam candidatos. A chegada ao areal, com a Praia do Cabedelo do outro lado da foz, costuma render silêncios de respeito.

E depois do passeio?

10. Aceite que vai querer repetir

Fica já o aviso: o primeiro passeio vicia. Uns descobrem que afinal querem aprender a trotar como deve ser — para esses temos aulas de equitação para todas as idades. Outros voltam com os amigos para o passeio ao pôr do sol. E há quem alinhe as férias com a Romaria d’Agonia, em agosto, e remate o dia com um copo de vinho verde fresco no centro histórico. Não seremos nós a julgar — nem a discordar.

Se ficou com vontade, é fácil: estamos na Rua da Condominha 216, na Areosa, a poucos minutos do centro de Viana do Castelo. Escreva-nos pelo WhatsApp (934 142 212) ou através da página de contactos e tratamos de tudo — datas, horários e valores sob consulta.

Perguntas frequentes

Preciso de alguma experiência para o passeio na praia?

Nenhuma. A maior parte dos nossos visitantes monta pela primeira vez connosco. Antes de sair, fazemos uma introdução no picadeiro — subir, segurar as rédeas, parar — e escolhemos um cavalo adequado ao seu perfil. Os grupos têm no máximo 8 participantes e seguem sempre acompanhados pela nossa equipa.

Tenho problemas de costas ou estou grávida. Posso montar?

Depende de cada caso, e a sua saúde não é assunto para adivinhas. Fale primeiro com o seu médico e depois connosco: explicamos ao pormenor como é o passeio — ritmo, duração, tipo de terreno — para poder decidir em segurança. Em alternativa, temos opções mais suaves, como o aluguer de charretes, e programas de hipoterapia com acompanhamento especializado.

Quanto custa e como reservo?

Os valores estão sob consulta, porque variam com o passeio, a duração e o tamanho do grupo. Reservar é simples: envie mensagem para o WhatsApp 934 142 212 com a data pretendida e o número de pessoas, e respondemos com as opções disponíveis. Convém marcar com antecedência, sobretudo no verão e aos fins de semana.