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Sessão de hipoterapia na VIANAEQUESTRE, na Areosa, com um praticante a cavalo acompanhado de perto pela equipa
Diário da Areosa

Hipoterapia: O Que É e Como Pode Ajudar

6 min de leitura

Há manhãs na Areosa em que tudo parece abrandar. O nevoeiro ainda se desfaz sobre o mar, ouve-se o Atlântico ao longe, do lado de Montedor, e no picadeiro um cavalo espera, quieto, enquanto uma criança se aproxima pela primeira vez. Nos primeiros minutos quase não acontece nada: uma mão no pescoço do animal, o calor do pelo, a respiração funda e regular. E, no entanto, é ali que muita coisa começa.

Chamamos-lhe hipoterapia, mas quem a vive de perto descreve-a de outra forma: é a diferença entre trabalhar o corpo numa sala e trabalhá-lo em cima de um ser vivo que respira, aquece e se move connosco. Na VIANAEQUESTRE, associação hípica de Viana do Castelo fundada em 2009, acompanhamos há anos famílias que chegam com dúvidas e saem com uma rotina que transforma as suas semanas.

Este artigo explica, sem promessas milagrosas, o que é a hipoterapia, quais os seus benefícios físicos e emocionais, para quem costuma ser indicada e como funciona uma sessão connosco — incluindo a avaliação inicial gratuita que oferecemos a todas as famílias.

O que é, afinal, a hipoterapia?

A hipoterapia é uma abordagem terapêutica que utiliza o movimento do cavalo como instrumento de trabalho. Não se trata de aprender a montar: nas nossas aulas de equitação o objetivo é a técnica; na hipoterapia, o cavalo é um parceiro terapêutico, e quem orienta a sessão são pessoas com formação específica, em articulação com as indicações dos profissionais de saúde que acompanham cada praticante.

O praticante não “conduz” o cavalo — recebe o seu movimento. E é precisamente esse movimento que faz da hipoterapia algo que nenhuma máquina consegue replicar.

O movimento tridimensional do cavalo

Quando um cavalo anda a passo, o seu dorso desloca-se em três planos ao mesmo tempo:

  • Para cima e para baixo, a cada passada;
  • Para a frente e para trás, no balanço natural do andamento;
  • De um lado para o outro, com a rotação da anca do animal.

Quem está montado recebe, a cada minuto, dezenas destes pequenos impulsos rítmicos. O mais curioso — e é isto que há décadas interessa a terapeutas em todo o mundo — é que esse padrão de movimento transmitido à bacia de quem monta é muito semelhante ao da marcha humana. Ou seja: uma pessoa que tem dificuldade em andar, ou que ainda não anda, pode experimentar no dorso do cavalo um estímulo parecido com o do próprio ato de caminhar, de forma segura e sem esforço de sustentação.

O corpo responde a esse convite constante: ajusta o tronco, procura o equilíbrio, organiza a postura. Tudo isto acontece sem que pareça um exercício — e essa é, talvez, a maior elegância desta terapia.

Benefícios físicos e emocionais

Convém dizê-lo com clareza: a hipoterapia não é uma cura nem substitui tratamentos médicos, fisioterapia ou terapias da fala e ocupacionais. É um complemento — e, para muitas famílias, um complemento precioso. Os benefícios descritos pela literatura e observados no terreno incluem:

No corpo

  • Estimulação do tónus muscular e do controlo do tronco;
  • Trabalho do equilíbrio e da coordenação motora;
  • Melhoria da postura e da consciência corporal;
  • Estímulo rítmico e regular, difícil de reproduzir noutro contexto.

Na mente e nas emoções

  • Aumento da autoconfiança — estar em cima de um cavalo muda a perspetiva, literalmente;
  • Momentos de calma e regulação emocional, favorecidos pelo ritmo do passo e pelo contacto com o animal;
  • Estímulo da atenção, da comunicação e da vontade de interagir;
  • Criação de um vínculo afetivo com o cavalo e com a equipa, sessão após sessão.

Cada pessoa responde de maneira diferente, e os progressos raramente são lineares. O que vemos com mais frequência não são milagres: são pequenas conquistas consistentes — uma postura que se aguenta mais tempo, um sorriso que antes não aparecia, uma palavra nova dita ao cavalo.

Para quem é indicada?

A hipoterapia é frequentemente recomendada, por médicos e terapeutas, a crianças, jovens e adultos com:

  • Paralisia cerebral e outras alterações neuromotoras;
  • Perturbações do espetro do autismo;
  • Trissomia 21 e outras condições genéticas;
  • Atrasos globais do desenvolvimento;
  • Dificuldades de equilíbrio, coordenação ou postura;
  • Ansiedade e outras dificuldades de regulação emocional.

Existem também situações em que a hipoterapia não é aconselhada, ou exige cuidados particulares. Por isso pedimos sempre que a decisão seja tomada em conjunto com a equipa de saúde que acompanha o praticante — e estamos disponíveis para falar diretamente com esses profissionais, se a família assim o desejar. Na dúvida, contacte-nos: esclarecer é sempre o primeiro passo.

Como funciona uma sessão na VIANAEQUESTRE

As nossas instalações ficam na Rua da Condominha 216, na Areosa — a poucos minutos do centro de Viana do Castelo, entre o mar e as encostas que sobem para o Monte de Santa Luzia. É um ambiente tranquilo, pensado para que cada praticante tenha tempo e espaço.

Uma sessão típica desenrola-se assim:

  1. Chegada e aproximação ao cavalo — cumprimentar, tocar, por vezes ajudar a escovar. O vínculo faz parte da terapia.
  2. Montar com apoio — sempre com acompanhamento próximo da equipa, ao ritmo de cada um.
  3. Trabalho a passo — o cavalo caminha e o corpo do praticante responde ao movimento; podem juntar-se jogos, alcançar objetos ou simples momentos de silêncio, conforme os objetivos definidos.
  4. Despedida — agradecer ao cavalo é, para muitos praticantes, o momento preferido.

Trabalhamos com cavalos calmos e habituados a este tipo de sessões, num acompanhamento muito individualizado — se nos passeios a cavalo na praia já limitamos os grupos a 8 pessoas, na hipoterapia a atenção é ainda mais próxima e centrada num único praticante de cada vez.

A avaliação inicial é gratuita

Antes de qualquer compromisso, convidamos a família a visitar-nos para uma avaliação inicial gratuita e sem obrigação. Conhecemo-nos, ouvimos a história e as expetativas, apresentamos os cavalos e o espaço, e avaliamos em conjunto se a hipoterapia faz sentido naquele momento. Só depois se define um plano de sessões. Os valores são sob consulta e explicados com total transparência nessa conversa.

Para marcar, basta uma mensagem de WhatsApp para o 934 142 212.

Perguntas frequentes

O meu filho tem medo de animais grandes. A hipoterapia ainda assim é possível?

Muitas vezes, sim — e com calma. Ninguém é colocado em cima de um cavalo no primeiro dia se não estiver preparado. Há praticantes que passam as primeiras sessões apenas a observar, a tocar ou a escovar o cavalo a partir do chão. O medo inicial é comum e respeitamo-lo; a confiança constrói-se ao ritmo de cada um, e é frequentemente uma das primeiras grandes conquistas do processo.

Quantas sessões são necessárias para ver resultados?

Não existe um número mágico, e desconfie de quem lho prometa. A hipoterapia é um trabalho de regularidade: a maioria das famílias opta por sessões semanais, e os progressos vão-se notando ao longo de semanas e meses, de forma diferente em cada pessoa. Na avaliação inicial gratuita conversamos sobre expetativas realistas para cada caso concreto.

É preciso alguma preparação ou material especial?

Apenas roupa confortável — calças compridas e calçado fechado — e a informação clínica relevante, se existir. Todo o material de segurança, incluindo o toque, é fornecido por nós. Recomendamos que traga também as indicações do médico ou terapeuta que acompanha o praticante, para alinharmos objetivos desde o início. Qualquer dúvida antes da primeira visita, fale connosco pelo WhatsApp 934 142 212.