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Cavaleiros num trilho de pinhal perto da Areosa, vestidos com roupa confortável para um passeio a cavalo
Diário da Areosa

O Que Vestir num Passeio a Cavalo (e o Que Deixar no Hotel)

7 min de leitura

Há uma pergunta que nos chega pelo WhatsApp quase todos os dias, normalmente minutos depois de confirmarmos uma reserva: «E o que é que eu visto?» É uma excelente pergunta — e a resposta certa é, muitas vezes, a diferença entre um passeio inesquecível e duas horas a pensar na costura das calças.

A boa notícia: não precisa de comprar rigorosamente nada. Desde 2009 que recebemos na Areosa gente de todos os feitios — famílias em férias, casais que nunca tinham subido para um cavalo, cavaleiros experientes de passagem pelo Minho — e a esmagadora maioria monta com roupa que já tinha na mala. O segredo não está em parecer saído de um concurso de saltos; está em escolher bem entre aquilo que já tem.

Este é o nosso checklist honesto, afinado em milhares de saídas entre a Praia do Cabedelo e os trilhos da Serra d’Arga. E como montamos mesmo à beira do Atlântico, há aqui pormenores que não vai encontrar em guias genéricos: o vento norte que se levanta sem avisar, a maresia, a luz que engana até os mais desconfiados.

Calças compridas, sempre (sim, mesmo em agosto)

Regra número um, sem exceções: calças compridas. Ao longo de uma hora de passeio, a parte interior da perna está em contacto permanente com a sela. Com calções, esse atrito transforma-se rapidamente numa assadura que lhe estraga o resto das férias — e ninguém quer visitar o Monte de Santa Luzia a coxear.

Funcionam muito bem:

  • Jeans com elastano — o clássico que quase toda a gente tem
  • Leggings grossas ou calças de ioga (as finas deixam passar a costura da sela)
  • Calças de treino justas ou de caminhada com algum stretch

Evite calças muito largas (sobem pela perna acima e deixam a pele exposta), tecidos rígidos sem elasticidade e costuras interiores muito grossas. E um aviso de quem já viu de tudo: fato de banho molhado por baixo das calças é receita garantida para desconforto. Se vier da praia, troque antes de montar.

Calçado fechado — os seus ténis servem perfeitamente

Não precisa de botas de equitação. Precisa, isso sim, de calçado fechado, razoavelmente justo ao pé e com sola que agarre no estribo. Uns ténis normais, uns botins ou umas botas leves de caminhada resolvem o assunto.

O que fica em terra, sem negociação: chinelos, sandálias, socas, sabrinas abertas e qualquer coisa que possa sair do pé a meio do caminho. O estribo é desenhado para calçado fechado — é uma questão de segurança, não de estilo.

E na praia, com a areia e a água?

No passeio a cavalo na praia, os cavalos por vezes caminham perto da linha de água, e um borrifo ou outro faz parte do encanto. Não traga por isso o seu calçado mais estimado: uns ténis que já conheçam vida são a escolha perfeita. Na serra, uma sola com um mínimo de relevo dá jeito nos momentos a pé, mas nada de especial é necessário.

Camadas: o vento atlântico não pede licença

Quem conhece a costa de Viana do Castelo sabe: a manhã pode nascer com nevoeiro sobre Montedor, o meio-dia abrir num sol radioso e, às três da tarde, a nortada instalar-se com vontade. Vestir-se por camadas não é conselho de guia turístico — é sobrevivência básica à beira-mar.

A fórmula que recomendamos o ano inteiro:

  1. Camada de base: t-shirt ou camisola técnica, conforme a época
  2. Camada quente: sweatshirt ou polar, fácil de tirar e atar à cintura
  3. Camada exterior: corta-vento leve, sobretudo de outubro a maio

No inverno, acrescente umas luvas finas — as mãos são as primeiras a queixar-se do vento. E se vier ao nosso passeio ao pôr do sol, traga sempre a camada quente mesmo em pleno verão: quando o sol mergulha no Atlântico, a temperatura no areal cai vários graus em poucos minutos, e o regresso faz-se já com o fresco da noite.

Uma nota de prudência: evite cachecóis soltos, ponchos e peças que esvoacem com o vento. Os nossos cavalos são calmos e habituados a tudo, mas tecido a bater ao vento é um incómodo desnecessário — para eles e para si.

Protetor solar, mesmo quando o céu diz que não

Este é o erro mais comum de quem nos visita fora do verão. A luz refletida pelo mar e pelo areal queima mesmo em dias encobertos, e num passeio de uma a duas horas não há sombra que valha. Aplique protetor solar antes de sair do hotel — cara, nuca, orelhas e mãos, que são as zonas que ficam expostas com o capacete posto.

Chapéu não é preciso (já lá vamos), mas um batom de cieiro agradece-se nos meses de nortada. Em caso de pele especialmente sensível ou de qualquer condição médica que exija cuidados com a exposição solar, fale com o seu médico e avise-nos ao reservar — ajustamos horários e percursos sempre que possível.

Telemóveis, câmaras e o capacete (a parte que é connosco)

Duas perguntas que ouvimos sempre, respondidas de uma vez.

Pode levar o telemóvel ou a câmara? Pode, desde que viaje num bolso com fecho ou numa bolsa presa ao corpo — nada de telemóvel na mão durante a marcha, nem de bolsos abertos de onde as coisas saltam ao primeiro trote. E há um plano B que resolve quase tudo: o nosso guia conhece os pontos mais bonitos de cada percurso e tira fotografias ao grupo nas paragens certas. Relaxe e aproveite a paisagem; as fotografias aparecem.

E o capacete? Esse é por nossa conta. Fornecemos capacetes de vários tamanhos, incluindo para crianças, e ajustamo-los a cada cabeça antes de qualquer pessoa subir para o cavalo. O uso é obrigatório em todos os nossos passeios e aulas de equitação — sem exceções, sem discussão, seja principiante absoluto ou cavaleiro de longa data. Não traga chapéus nem bonés: não cabem debaixo do capacete e voam com o vento da Areosa.

O que deixar no hotel

Para fechar, a lista do que fica bem guardado no quarto:

  • Chinelos, sandálias e qualquer calçado aberto
  • Calções (já sabe porquê)
  • Anéis, pulseiras soltas e relógios de estimação
  • Óculos de sol caros sem fita de segurança
  • Mochilas grandes — atrapalham o equilíbrio; uma bolsa pequena presa ao corpo chega
  • Perfumes intensos (o nariz dos cavalos é mais fino que o nosso)
  • Guarda-chuva, evidentemente

Na dúvida sobre qualquer peça, mande-nos mensagem pelo WhatsApp (934 142 212) antes de vir — respondemos depressa e já evitámos muitos sapatos errados a tempo.

Perguntas frequentes

Preciso de comprar botas ou calças de equitação para um passeio?

Não. Para os nossos passeios na praia, no pinhal ou na serra, roupa desportiva confortável e ténis fechados são perfeitamente adequados. Equipamento próprio de equitação só faz sentido para quem monta com regularidade — se for o caso, falamos disso nas aulas.

E se estiver a chover no dia do passeio?

O tempo no Minho muda depressa, e uma morrinha fina raramente estraga um passeio — às vezes até lhe dá um encanto especial. Com chuva forte ou vento perigoso, a decisão é sempre pela segurança de todos. Fale connosco pelo WhatsApp na véspera ou na manhã do passeio e encontramos juntos a melhor solução, seja ajustar a hora ou remarcar.

As crianças precisam de roupa diferente da dos adultos?

As regras são exatamente as mesmas: calças compridas, calçado fechado e camadas. Temos capacetes de tamanho infantil e cavalos e garranos habituados aos mais novos. Como os grupos têm no máximo 8 participantes, cada criança recebe a atenção que precisa — diga-nos as idades ao reservar e preparamos tudo, com condições sob consulta.


Roupa escolhida? Então só falta o resto: um cavalo à sua medida, o areal do Cabedelo e, se escolher bem a hora, o sol a cair sobre o Atlântico no nosso passeio ao pôr do sol. Estamos na Rua da Condominha 216, na Areosa — e a um WhatsApp de distância.